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Início » Blog » Notícias » Página atual

Empresas do Lucro Real podem pagar menos impostos a partir de 2027 com a Reforma

  • Por: Lorraine Stelle
  • 22/07/2026
  • Tempo: 7 min

Empresas do Lucro Real podem ter uma redução na carga tributária já nos primeiros anos da Reforma Tributária, entre 2027 e 2028. É o que apontam modelagens feitas por escritórios especializados, que simulam os efeitos da troca do PIS e da Cofins pela CBS e do maior aproveitamento de créditos dentro do novo sistema. Essas projeções partem de dados fiscais reais de empresas de diferentes setores. E assim, têm sido usadas como base para ajustar rotas internas e antecipar mudanças antes que o novo modelo entre em vigor por completo.

O cenário é diferente para quem está no Lucro Presumido. Nessa primeira fase da transição, o que muda de fato é a substituição dos tributos federais, então o impacto inicial segue outra lógica. As mudanças mais expressivas para esse regime, principalmente na indústria, só devem aparecer a partir de 2032, quando a reforma avança para etapas mais profundas.

Você vai ler:

  • Modelagens tributárias orientam empresas do Lucro Real na transição 
  • O que muda na prática para empresas do Lucro Real com a CBS?
  • Serviços e tecnologia: o que muda ao lado das empresas do Lucro Real 
  • O que muda nos incentivos fiscais durante a transição
  • Fornecedores e clientes também sentem o peso da reforma 
  • Perguntas Frequentes

Modelagens tributárias orientam empresas do Lucro Real na transição 

Consultorias e escritórios de advocacia têm se dedicado a mapear, com detalhes, como a troca gradual dos tributos atuais pelo novo sistema vai pesar no bolso das empresas. Não é só uma conta de alíquota nova por alíquota velha. Entram na equação custos operacionais, formação de preço e até decisões estratégicas que dependem diretamente desse cálculo.

O resultado, porém, está longe de ser padrão. Cada empresa sente a reforma de um jeito, dependendo do regime tributário em que está enquadrada, do setor onde atua, dos benefícios fiscais que já usa, da capacidade de gerar créditos e até de como está organizada sua cadeia de fornecedores.  

Para o advogado Luca Salvoni, essa variação é justamente o ponto central da discussão. Segundo ele, não existe uma fórmula única que sirva para todos os negócios, já que fatores distintos mudam completamente o resultado final da conta tributária.

Mesmo com essas diferenças de empresa para empresa, as simulações vêm ganhando espaço como ferramenta prática de planejamento. Muitas companhias já usam esses números para tomar decisões sobre contratos, investimentos, compras e reorganização da parte fiscal antes mesmo da reforma avançar para as próximas etapas.

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Saiba mais sobre as mudanças para Empresas do Lucro Real na Reforma Tributária.

O que muda na prática para empresas do Lucro Real com a CBS?

Entre 2027 e 2028, a mudança que realmente pesa é a saída do PIS e da Cofins de cena, dando lugar à CBS. ICMS e ISS continuam no jogo por enquanto e só saem de fato mais adiante, na fase seguinte da transição.

O Cascione Advogados, em suas estimativas, aponta que quem está no Lucro Real tende a sair ganhando nessa troca. O motivo está no próprio desenho da CBS: um modelo não cumulativo que abre espaço para aproveitar mais créditos ao longo da cadeia.

Na prática, hoje o PIS e a Cofins não cumulativos somam uma alíquota efetiva de cerca de 10,2%, no cálculo por dentro. Com a CBS, o escritório projeta algo em torno de 9%. E ainda soma a isso a chance de recuperar mais créditos do que é possível recuperar hoje. Há também um detalhe que não pode ficar de fora da conta: o IPI vai sendo extinto aos poucos, e isso muda o peso da carga tributária especialmente para alguns setores específicos.

Serviços e tecnologia: o que muda ao lado das empresas do Lucro Real 

Nem todo setor vai sentir a reforma da mesma forma. As projeções mostram que o segmento de serviços tende a caminhar para uma tributação mais alta, ainda que essa alta possa perder força conforme cresce a possibilidade de aproveitar créditos.

O setor de tecnologia também está no radar das mudanças. Grande parte dessas empresas hoje usufrui de benefícios ligados ao PIS e à Cofins, e é justamente esse ponto que deve gerar ajustes mais sensíveis para o segmento. Já quem está no Lucro Presumido vai ver a alíquota de PIS/Cofins sair dos atuais 3,65% para uma CBS estimada em 9%, segundo as projeções levantadas. Na conta fria, parece um salto e tanto.

Mas especialistas fazem uma ressalva importante: a geração de créditos pode suavizar bastante esse número final. Isso muda o jogo para quem compra produtos ou contrata serviços, já que esse cálculo passa a entrar direto na hora de fechar negócio.


Leia mais:

  • Oportunidades na Reforma Tributária e o impactos na empresa
  • Módulo Simples Nacional na Reforma Tributária: o que esperar das mudanças e como se preparar?
  • O que muda para seus clientes: guia de benefícios fiscais na Reforma Tributária
  • Conheça a Comunidade Reforma Tributária e Aplique as Novas Regras com Segurança
  • Transição da Reforma Tributária: IBS, CBS e IS são as principais dúvidas de empresas

O que muda nos incentivos fiscais durante a transição 

Um ponto que merece atenção redobrada é o futuro dos incentivos fiscais que já existem hoje. A partir de 2029, quando o IBS começa a entrar em cena e ICMS e ISS saem de circulação, os benefícios concedidos por estados e municípios podem passar por mudanças significativas.

Para se ter ideia do tamanho desse universo, o Painel de Caracterização das Desonerações Tributárias mostra que os incentivos fiscais federais somam algo em torno de R$ 339,86 bilhões, espalhados por diversos programas. A fatia mais robusta está concentrada na Cofins, com aproximadamente R$ 148,67 bilhões em desonerações, seguida de perto por IRPJ, PIS, Cofins-Importação e IPI.

Quem usa esse tipo de incentivo hoje precisa colocar a lupa em cima da transição. Vale entender por quanto tempo esses benefícios ainda vão existir e encaixar esse prazo dentro do planejamento estratégico do negócio.

Fornecedores e clientes também sentem o peso da reforma 

A conta não para na tributação interna. Especialistas reforçam que a reforma também muda a forma como empresas se relacionam comercialmente entre si. Com mais créditos disponíveis, o preço final de um produto ou serviço passa a depender também de como fornecedores e compradores se comportam ao longo de toda a cadeia.

Isso significa que uma empresa pode até pagar mais ou menos impostos por conta própria, mas o custo que chega na ponta final muda conforme a capacidade dos outros elos da cadeia de recuperar créditos. Por isso, fica o alerta: acompanhar apenas a própria tributação não é suficiente. É preciso olhar também para parceiros, contratos e negociações de preço durante toda a transição.

A reforma segue seu cronograma: começa em 2027 e avança de forma gradual até 2033, quando o novo modelo de tributação sobre o consumo deve estar totalmente em vigor.

Fonte:  Portal Contábeis (Com informações Valor Econômico)

Imagem com um fundo azul claro com o texto sobre o sistema contábil Gratuito do sistema Makro

Perguntas Frequentes

Empresas do Lucro Real vão pagar menos impostos com a Reforma Tributária?

Segundo modelagens de escritórios especializados, sim, pelo menos nos primeiros anos. Entre 2027 e 2028, a troca do PIS e da Cofins pela CBS, somada ao maior aproveitamento de créditos, tende a reduzir a carga tributária desse grupo.

Qual a diferença de alíquota entre o sistema atual e a CBS para empresas do Lucro Real?

Hoje, o PIS e a Cofins não cumulativos somam uma alíquota efetiva de cerca de 10,2%. Com a CBS, a projeção fica próxima de 9%, além da possibilidade de recuperar mais créditos do que é possível hoje.

Por que empresas do Lucro Real podem ser beneficiadas pela CBS?

O modelo de não cumulatividade da CBS amplia o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia produtiva, o que favorece justamente o regime do Lucro Real.

Todos os setores de empresas do Lucro Real sentem o mesmo impacto?

Não. O setor de serviços, por exemplo, tende a ter uma trajetória de tributação crescente, enquanto a tecnologia deve sentir ajustes específicos por causa de benefícios ligados ao PIS e à Cofins que hoje já usa.

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Foto de Lorraine Stelle

Lorraine Stelle

Letróloga em formação pela UEMG, tem experiência com trabalhos de redação e tradução no par linguístico português-inglês, assim como pesquisa nas áreas de Literatura Decolonial e Estudos da Tradução. Fora do ambiente profissional, é entusiasta de literatura e arte. Atualmente, contribui com artigos para o blog da Makro.
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