A contabilidade para escritórios de advocacia vem ganhando força no mercado por uma razão bem clara: tem demanda de verdade. Atualmente, a maior parte desses profissionais no país precisam de um contador que vá além de escriturar livros e calcular impostos. Estamos falando de quem entende como funciona essa contabilidade e conhece as exigências da OAB para abertura de sociedade. No entanto, boa parte dos contadores não se aprofunda nisso, o que deixa espaço no mercado para quem quer se especializar de verdade.
Portanto, neste artigo, você vai ver o que caracteriza essa especialização na prática. Assim como entender onde estão as oportunidades reais de atuação, e quais são os primeiros passos para começar a trabalhar com esse público. Boa leitura!
Você vai ler:
- O Que é a Contabilidade para Escritórios de Advocacia?
- As Principais Áreas de Atuação do Contador na Contabilidade para Escritórios de Advocacia?
- Por Que Contabilidade para Escritórios de Advocacia é um Nicho Estratégico Para Contadores?
- O Que o Contador Precisa Saber Para Atuar com Contabilidade para Escritórios de Advocacia?
- Conclusão
- Perguntas Frequentes
O Que é a Contabilidade para Escritórios de Advocacia?
A Contabilidade para escritórios de advocacia é quando você trabalha especificamente com o setor jurídico, com advogados que atuam sozinhos ou mesmo em departamentos jurídicos de empresas. A diferença para a contabilidade comum não está só em saber lidar com impostos e obrigações fiscais. Mas em conhecer de verdade as regras da OAB, entender como o Simples Nacional funciona para serviços de natureza intelectual.
Portanto, isso inclui entender a fundo questões como segregação de receitas entre honorários próprios e valores de clientes. Assim como a escolha adequada de regime tributário, estruturação de Sociedade Unipessoal de Advocacia (SUA) ou Sociedade Simples, e outros pontos fundamentais nesse tipo de atuação.
Afinal, seu escopo é amplo. Pois, vai desde a contabilidade rotineira, como abertura de empresa, escrituração, apuração de impostos, emissão de notas fiscais, folha de pagamento, até consultoria tributária estratégica, planejamento fiscal customizado, análise de viabilidade econômica e até perícia contábil. Abaixo, você vai entender melhor o que precisa para atuar nesse nicho.
As Principais Áreas de Atuação do Contador na Contabilidade para Escritórios de Advocacia?
Quem decide trabalhar com contabilidade para escritórios de advocacia tem à disposição quatro frentes de atuação bem definidas. Cada uma exige conhecimentos específicos e oferece oportunidades distintas de rentabilidade.
1. Contabilidade Rotineira Para Escritórios de Advocacia
Aqui entra o dia a dia operacional: abertura e legalização de Sociedade Unipessoal de Advocacia (SUA) ou Sociedade Simples. Assim, é fundamental a escolha do regime tributário mais adequado (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real), escrituração contábil e fiscal, emissão de notas fiscais eletrônicas (NFS-e) e cumprimento das obrigações acessórias, como o DAS, DEFIS, SPEDs, eSocial, entre outras. Também entra nessa conta a gestão de folha de pagamento e pró-labore.
Sobretudo, o ponto crítico dessa rotina está na segregação de receitas. Advogados recebem honorários próprios, mas também movimentam valores de clientes (como indenizações, acordos judiciais e depósitos). Se esses montantes não forem separados corretamente na contabilidade, o escritório pode acabar pagando imposto sobre dinheiro que nem é dele, o que pode se tornar um erro comum e custoso. Portanto, o contador precisa estruturar processos internos claros para evitar esse tipo de problema.
2. Planejamento Tributário Especializado
Essa é a área que mais gera valor agregado, afinal, o planejamento tributário para advogados vai muito além de escolher um regime fiscal. Envolve analisar o Fator R no Simples Nacional, um cálculo que compara a folha de pagamento com a receita bruta e pode reduzir a alíquota de impostos de 30,5% para 15,5%, dependendo da estrutura do escritório. Também inclui avaliar a viabilidade de migração entre regimes, identificar oportunidades de economia fiscal dentro da legalidade, orientar sobre transação tributária e apoiar na regularização de passivos fiscais.
Sendo assim, os contadores que dominam esse tipo de análise conseguem precificar seus serviços com margens bem superiores à média do mercado, porque entregam economia real e mensurável para o cliente.
Leia mais:
- Contabilidade para Advogados: O Guia Definitivo para alcançar o Sucesso
- STJ Revisa Regras do PERSE para regular recursos repetitivos
- Como cadastrar um preposto no Sistema Makro
- Entenda novo Programa de Gestão e Desempenho da Perícia Médica Federal (PGDPMF)
- Perícia Contábil: Tudo o Que Você Precisa Saber Para Excelência e Eficiência
3. Perícia Contábil (Judicial e Extrajudicial)
A perícia contábil é uma atividade técnica regulamentada. E aqui, o contador pode trabalhar de dois jeitos: como perito nomeado pelo juiz ou como assistente técnico contratado por uma das partes. Para atuar como perito judicial, o ideal é estar no Cadastro Nacional de Peritos Contábeis (CNPC), e isso exige passar no Exame de Qualificação Técnica (EQT). Sobretudo, esse cadastro funciona mais como um diferencial técnico do que como requisito absoluto.
Já as áreas de atuação são variadas: processos trabalhistas, disputas cíveis e empresariais, dissolução de sociedades, cálculo de haveres, avaliação de patrimônio, apuração de lucros cessantes e danos emergentes. Além da perícia judicial, há demanda crescente por perícia extrajudicial em arbitragens, mediações e due diligence em fusões e aquisições.
Enfim, os honorários periciais variam bastante conforme a complexidade do caso, mas costumam ficar acima da remuneração de serviços rotineiros. É uma frente que exige atualização constante nas normas como a NBC TP 01 e NBC PP 01, além de habilidade técnica para fundamentar laudos de forma sólida e defensável.

4. Consultoria Estratégica e BPO Financeiro
Aqui o profissional sai da postura de executor e assume papel de contador consultor. Isso inclui controle de fluxo de caixa, elaboração de relatórios gerenciais customizados, análise de viabilidade financeira para expansão do escritório, gestão de custos, precificação de honorários advocatícios com base em margem de contribuição, suporte em fusões, aquisições ou dissolução de sociedades.
Os escritórios de advocacia de médio e grande porte, especialmente os que atuam com direito empresarial, têm buscado esse tipo de suporte. O modelo de BPO financeiro também tem ganhado espaço, porque libera os advogados para focar no core business enquanto o contador cuida da gestão financeira com visão de negócio.

Por Que Contabilidade para Escritórios de Advocacia é um Nicho Estratégico Para Contadores?
Segundo dados da OAB Nacional, o Brasil hoje conta com mais de 1,5 milhão de advogados ativos inscritos, o que equivale a cerca de 1 advogado para cada 164 pessoas. Isso significa milhares de escritórios de advocacia em atividade, desde profissionais autônomos até sociedades de grande porte, todos precisando de suporte contábil qualificado.
O Guia Salarial 2025 da Robert Half apontou a advocacia como um dos segmentos que mais demandam profissionais de contabilidade, reflexo direto da complexidade tributária do setor e da necessidade crescente de planejamento fiscal especializado.
Ou seja: a complexidade é real. Advogados não podem ser MEI, precisam lidar com segregação rigorosa entre honorários próprios e valores de clientes, enfrentam alíquotas variáveis no Simples Nacional, e ainda precisam cumprir exigências da OAB na estruturação de suas sociedades.
Portanto, aqueles que não dominam essas particularidades cometem erros que custam caro, tanto para o cliente quanto para a reputação do contador. Essa barreira técnica afasta generalistas e cria espaço para quem se especializa.
Sobretudo, a concorrência ainda é baixa porque poucos contadores investem tempo para entender as normas da OAB, e todas as particularidades societárias da advocacia. Isso abre margem para ticket médio mais alto, especialmente em serviços consultivos como planejamento tributário e gestão estratégica. Assim, o relaciomaneto tende a ser longo, pois advogados valorizam contadores que entendem o negócio deles!

O Que o Contador Precisa Saber Para Atuar com Contabilidade para Escritórios de Advocacia?
Trabalhar na contabilidade para escritório de advocacia não é só fazer o que você já faz para outros clientes. Tem conhecimento específico envolvido, coisas que a formação básica não cobre. São esses detalhes técnicos que separam um contador comum de alguém que realmente agrega valor ao trabalho de um escritório de advocacia.
Conhecimentos Técnicos Obrigatórios
O ponto de partida é conhecer a legislação que rege a atividade advocatícia. Isso significa estudar a Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB), o Código de Ética da OAB e as regras do CNAE 6911-7/01. Também é essencial entender como funciona o Simples Nacional para advogados, especialmente porque eles se enquadram no Anexo IV, onde a Contribuição Previdenciária Patronal (CPP/INSS) não entra na guia do DAS e precisa ser recolhida separadamente. Esse detalhe faz diferença na hora de planejar a carga tributária do cliente.
Outro ponto crítico é a segregação contábil de receitas. Advogados movimentam honorários próprios e valores de clientes (como depósitos judiciais, indenizações e acordos). Misturar essas receitas na escrituração pode gerar tributação indevida. O contador precisa saber classificar corretamente cada movimentação financeira.
Conhecer as naturezas jurídicas permitidas, como Sociedade Unipessoal de Advocacia (SUA) e Sociedade Simples, e entender as regras de distribuição de lucros também são competências técnicas essenciais. A OAB impõe limitações específicas sobre quem pode ou não ser sócio, e isso impacta diretamente a estruturação societária.
Normas Técnicas Aplicáveis à Perícia
Quem quer atuar com perícia contábil precisa estudar as NBC TP 01 (Norma Técnica de Perícia) e NBC PP 01 (Norma Profissional de Perito). Para trabalhar como perito judicial, o ideal é estar inscrito no Cadastro Nacional de Peritos Contábeis (CNPC) do CFC, isso exige passar no Exame de Qualificação Técnica (EQT) e cumprir o Programa de Educação Profissional Continuada (PEPC). Vale dizer que o CNPC não é obrigatório por lei, mas funciona como um diferencial competitivo. Juízes podem nomear qualquer contador com CRC ativo, mas ter o CNPC na ficha técnica aumenta as chances de nomeação.
Habilidades Consultivas
Além do conhecimento técnico, o contador que atua nesse nicho precisa desenvolver habilidades de comunicação com advogados, profissionais que têm linguagem e raciocínio jurídico próprios. Saber traduzir impactos tributários e financeiros de forma clara é fundamental. Também é importante ter visão estratégica para análise financeira, gestão de riscos fiscais e conhecimento sobre a Reforma Tributária, especialmente os impactos do IBS e CBS na advocacia a partir de 2026.
Conclusão
A contabilidade para escritórios de advocacia não é apenas mais um nicho, mas pode ser uma escolha estratégica para contadores que querem sair da concorrência e passar a competir por especialização técnica. O mercado de advocacia movimenta bilhões, tem demanda comprovada e valoriza profissionais que entendem suas particularidades. Mas para se posicionar com credibilidade neste segmento, é preciso ir além do básico: dominar legislação específica, entender a tributação aplicada ao setor e oferecer consultoria que gere valor real.
A especialização é o que mantém o contador relevante em um mercado cada vez mais automatizado. Enquanto tarefas operacionais podem ser substituídas por tecnologia, a capacidade de analisar cenários, planejar estratégias tributárias e orientar decisões financeiras continua sendo exclusivamente humana, e bem remunerada. A especialização técnica aliada a tecnologia eficiente é o caminho para quem quer crescer de forma sustentável no mercado contábil. E, se você quer saber mais, montamos um guia completo de como atuar na contabilidade para advogados e aproveitar melhor essas oportunidades.
Portanto, nesse contexto, contar com ferramentas que otimizam a rotina operacional faz toda a diferença. Como o Sistema Contábil da Makro, que foi desenvolvido pensando nas necessidades de escritórios que atendem até mesmo nichos especializados, como a advocacia.
Por ser 100% em nuvem, permite acesso remoto e integração com clientes de qualquer lugar. A Gestora Inteligente da Makro, assistente contábil com inteligência artificial, automatiza processos repetitivos, identifica inconsistências e sugere ações corretivas, liberando o contador para focar no que realmente importa: consultoria, planejamento e relacionamento com o cliente.

Perguntas Frequentes
É a especialização contábil voltada para escritórios de advocacia e advogados. Vai além da rotina fiscal, incluindo consultoria tributária estratégica, planejamento especializado e perícia contábil, com foco nas particularidades da legislação da OAB e do setor jurídico.
Contabilidade para advogados é a rotina básica: abertura de empresa, impostos, folha de pagamento. Contabilidade jurídica é mais ampla, incluindo consultoria avançada, planejamento tributário e perícia — exige domínio técnico específico do setor.
Sim. Perícia contábil é atividade do contador registrado no CRC. Para atuar como perito judicial, basta estar no CNPC após passar no Exame de Qualificação Técnica do CFC. Não precisa de OAB.
Não. Advocacia não está na lista de atividades permitidas para MEI. Advogados podem atuar como autônomos ou abrir Sociedade Unipessoal de Advocacia ou Sociedade Simples.
