Uma pesquisa do Sescon-SP indica que a reforma tributária pode elevar os preços dos serviços contábeis. O levantamento também mostra que o setor tem espaço para oferecer serviços de maior valor agregado. Hoje, 98% das contabilidades entregam rotinas contábeis e fiscais, mas só 55% já oferecem consultoria sobre as mudanças no sistema tributário.
Você vai ler:
Reforma tributária e os preços dos serviços contábeis: o que o estudo aponta?
O Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis de São Paulo (Sescon-SP) ouviu profissionais da área e perguntou como eles enxergam a Reforma Tributária. Para 34% dos entrevistados, a mudança abre uma oportunidade de elevar os preços das consultorias. Outros 27% pretendem rever os valores dos serviços recorrentes. Por outro lado, 20% ainda não avaliaram os impactos, e 16% dizem que o pouco entendimento dos clientes atrapalha os reajustes. Antonio Carlos Santos, presidente do Sescon-SP, defende que o momento favorece uma revisão dos honorários:
“A reforma tributária cria um ambiente favorável para a revisão da política de honorários, sustentada pelo aumento comprovado da complexidade operacional e da demanda por serviços especializados durante a transição. Empresas que anteciparem esse movimento, com uma estratégia estruturada de comunicação de valor e renegociação contratual, estarão mais bem posicionadas para recompor margens e monetizar o incremento do escopo de atuação.”
– Fonte: Diário do Comércio.
Os dados vêm das respostas de 314 empresas contábeis ligadas ao sindicato. Além de medir a opinião do setor, o estudo mapeou os preços mínimos que as contabilidades praticam hoje no estado de São Paulo, de acordo com o regime tributário de cada cliente:
- MEI: a faixa mais comum vai de R$ 151 a R$ 250, citada por 31% dos respondentes.
- Simples Nacional: o valor mais cobrado fica entre R$ 301 e R$ 500 (42% das respostas). O estudo alerta que essa faixa pode não cobrir o aumento de complexidade trazido pela reforma.
- Lucro Real/ Lucro Presumido e Holdings: a faixa de R$ 1.001 a R$ 2.000 lidera nos dois perfis, com 30% e 27% das respostas, respectivamente.

Gargalo na formação dos preços dos serviços contábeis
Os números mostram que boa parte do setor ainda assume custos extras sem receber por eles. Entre as empresas ouvidas, 73% trabalham com mensalidade fixa, e 63% embutem as obrigações acessórias nesse honorário, sem cobrar à parte.
O relatório avalia que essa prática pode gerar perda relevante de receita. Segundo o documento, “essa prática pode representar uma perda de receita significativa, especialmente durante a transição da reforma tributária, que deve elevar temporariamente a demanda por atividades acessórias e de adaptação.”
A pesquisa também aponta que os serviços de alto valor agregado ainda podem crescer. Enquanto 98% entregam rotinas contábeis e fiscais, apenas 55% já oferecem consultoria sobre a reforma tributária, e 45% atuam com BPO Financeiro.
Perfil das empresas contábeis
A maior parte dos respondentes atende carteiras de médio porte. Entre eles, 23% têm de 101 a 200 clientes, e 17% atendem de 51 a 100. Só 10% passam de 500 clientes, o que indica um setor formado principalmente por contabilidades de pequeno e médio porte.
O faturamento também varia bastante. Um quarto das empresas (25%) fatura até R$ 180 mil por ano, e 18% ultrapassam R$ 3 milhões. A faixa mais frequente, acima de R$ 1 milhão anuais (20%), mostra que a amostra inclui contabilidades já consolidadas.
Além disso, 67% das empresas atuam de forma generalista, sem foco em um nicho. Na hora de definir os preços dos serviços contábeis, a pressão da concorrência por valores menores é a principal dificuldade para 50% dos entrevistados. O Sescon-SP realizou a Sondagem do Setor Contábil em parceria com a Omie.
Leia mais:
Fôlego na adaptação à reforma tributária e nos preços dos serviços contábeis
Enquanto o setor discute os preços dos serviços contábeis, outra novidade dá mais tempo às contabilidades. O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) ampliou o prazo para as empresas se adaptarem às regras de emissão de documentos fiscais eletrônicos. Com isso, empresas e contadores ganham mais tempo para ajustar sistemas, procedimentos fiscais e rotinas contábeis.
A vedação à emissão de NF-e de saída que faça referência a uma NFC-e passa a valer somente em 14 de dezembro de 2026. Na prática, a restrição prevista na legislação continua existindo, mas o início da aplicação foi adiado.
A regra trata do uso dos documentos fiscais eletrônicos nas operações comerciais. O varejo emprega a NFC-e principalmente para registrar vendas ao consumidor final, e a NF-e atende às demais operações previstas na legislação fiscal. O Ajuste SINIEF nº 32/2025 proibiu a NF-e de saída vinculada a uma NFC-e. A única exceção é a NF-e complementar, que segue podendo fazer essa referência.
Para o advogado tributarista Daniel Guimarães, as mudanças exigem mais do que conhecer a legislação. Elas podem pedir ajustes em programas de gestão, em sistemas de emissão de notas, na integração com plataformas contábeis e nos procedimentos das áreas de faturamento. Por isso, ele recomenda usar o prazo extra para se antecipar: mapear os clientes que fazem operações afetadas pela regra, conferir a configuração dos sistemas e decidir, antes de dezembro, se algum ajuste será necessário.
Fonte: Diário do Comércio

Perguntas Frequentes
Depende do regime tributário do cliente. Segundo o Sescon-SP, a faixa mais comum vai de R$ 151 a R$ 250 para MEI, de R$ 301 a R$ 500 para Simples Nacional e de R$ 1.001 a R$ 2.000 para Lucro Real/Presumido e Holdings.
A faixa predominante em São Paulo fica entre R$ 151 e R$ 250 por mês, valor citado por 31% das contabilidades ouvidas no levantamento.
O valor mais cobrado fica entre R$ 301 e R$ 500, segundo 42% dos respondentes. O estudo alerta, porém, que essa faixa pode não cobrir o aumento de complexidade trazido pela reforma tributária.
A faixa de R$ 1.001 a R$ 2.000 é a mais praticada nos dois perfis, com 30% das respostas no Lucro Real/Presumido e 27% nas Holdings.
Gi, Gestora Inteligente