A retenção na malha fina do Imposto de Renda segue sendo um problema recorrente: no último exercício, mais de 1,29 milhão de declarações foram retidas pela Receita Federal. Ou seja, isso é equivalente a 2,8% do total entregue. Com o prazo do IR 2026 começando em 23 de março, contadores e escritórios de contabilidade precisam redobrar a atenção para evitar os erros que mais levam ao bloqueio das declarações dos clientes.
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O que mais leva à retenção na malha fina?
Segundo a Receita Federal, os motivos mais recorrentes de retenção no último exercício foram despesas médicas não comprovadas. Como a omissão de rendimentos de titulares ou dependentes, outras deduções sem comprovação e divergência entre os valores declarados e os informados pelas fontes pagadoras.
Vale lembrar que, embora as despesas médicas sejam dedutíveis integralmente, os gastos precisam ser comprovados por documentos válidos, e valores reembolsados por planos de saúde não podem entrar como dedução. Já em relação aos dependentes, incluir o mesmo em mais de uma declaração ou deixar de informar rendimentos recebidos por eles são inconsistências que a Receita identifica com facilidade.
Dessa forma, erros de digitação simples, como inversão de números ou vírgulas mal posicionadas, também podem gerar diferenças relevantes. O mesmo vale para a omissão de saldos bancários: contas correntes, poupanças e aplicações devem ser informadas conforme as regras. Mesmo quando não há tributação direta sobre esses valores.

Novidades do IR 2026 que exigem atenção redobrada
O prazo de entrega para o IRPF 2026 vai de 23 de março a 29 de maio, e algumas mudanças neste ano ampliam o cruzamento de dados em frentes importantes. Uma delas envolve as despesas médicas. E, pela primeira vez, os valores declarados serão confrontados integralmente com os registros do sistema Receita Saúde, que reúne recibos eletrônicos obrigatórios emitidos por prestadores de serviços de saúde.
Outra novidade é a obrigação de declarar rendimentos obtidos com apostas de quota fixa (bets) acima de R$ 28.467,20. A tributação segue alíquota de 15% sobre o prêmio líquido, conforme a Lei nº 14.790/2024. Além disso, o sistema de preenchimento online passará a emitir alertas em tempo real sempre que identificar possíveis inconsistências. Assim, dando ao contribuinte a chance de revisar os dados antes de enviar.
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Como evitar a malha fina na prática?
A declaração pré-preenchida deve ser usada com critério. A Receita estima que cerca de 60% dos contribuintes vão utilizá-la em 2026. A modalidade reúne automaticamente dados de rendimentos, bens, dívidas e deduções, e garante prioridade na restituição. No entanto, vale lembrar que isso não elimina a responsabilidade de revisar cada informação e incluir o que estiver faltando.
Portanto, para os contadores, o momento de preparação é decisivo. Conferir os dados das fontes pagadoras, validar as despesas médicas com documentação em mãos e orientar os clientes sobre as novas obrigatoriedades, como a declaração dos ganhos com apostas, reduz significativamente o risco de retenção. Um checklist de rendimentos, deduções e dados pessoais ainda é um dos recursos mais simples e eficazes para evitar inconsistências antes do envio.
Fonte: Portal Contábeis

Perguntas Frequentes
É quando a Receita Federal retém a declaração por identificar inconsistências nos dados informados. O resultado pode ser atraso na restituição e multa de até 75% do imposto devido.
Despesas médicas sem comprovação lideram o ranking, seguidas de omissão de rendimentos, deduções sem documentação e divergência com os dados das fontes pagadoras.
Pelo portal Meu Imposto de Renda, no site da Receita Federal. Lá dá para acompanhar o status da declaração e ver se há alguma pendência.
Não. Ela agiliza o preenchimento e garante prioridade na restituição, mas não substitui a revisão. Dados ausentes ou incorretos continuam sendo responsabilidade do contribuinte.
