A portabilidade de crédito via Open Finance ganhou uma nova cara. Com a regulamentação do Banco Central, consumidores já podem transferir dívidas de crédito pessoal entre instituições de forma totalmente digital. E, agora, o prazo para isso caiu de cinco para três dias úteis. Sendo assim, na prática, a mudança parece simples para quem está do lado de fora, mas para os bancos e financeiras, ela escancarou um problema que muitos vinham adiando: a modernização das suas arquiteturas de TI.
Nesse cenário, para especialistas da Sensedia, multinacional brasileira especializada em APIs e integração de sistemas, é justamente essa pressão tecnológica que define quem vai conseguir competir nesse novo cenário, e quem vai ficar para trás.
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O que é Open Finance e como funciona a portabilidade de crédito?
O Open Finance permite que dados financeiros sejam compartilhados entre instituições autorizadas, sempre com o consentimento do consumidor. O resultado prático disso são serviços mais competitivos e personalizados, e é dentro dessa lógica que a portabilidade de crédito se encaixa.
Com a nova regra do Banco Central, a transferência de contratos de crédito pessoal entre bancos passou a ser feita de forma 100% digital, com prazo máximo de três dias úteis, reduzido dos cinco anteriores. Duas mudanças fundamentais estão por trás disso: a compressão desse prazo e a adequação de mais produtos ao arranjo do Open Finance. Para o consumidor, significa menos burocracia na hora de buscar taxas melhores. Para os bancos, significa que processos manuais e sistemas pouco automatizados simplesmente não cabem mais nessa equação.

O que muda na prática para quem lida com crédito e finanças?
Para o consumidor, a mudança é direta: buscar condições melhores de crédito ficou mais simples e rápido, sem precisar sair do aplicativo do banco. Mas os impactos vão além da experiência do usuário.
Para profissionais que acompanham o financeiro de pessoas físicas ou empresas, a velocidade com que condições de crédito podem mudar, parcelas, taxas, prazos contratuais, exige atenção redobrada no acompanhamento de contratos e no planejamento de fluxo de caixa. A portabilidade deixa de ser uma operação rara e passa a ser uma possibilidade concreta e frequente no dia a dia financeiro dos clientes.
Maturidade tecnológica: o que separa os bancos que vão competir dos que vão perder espaço
Nem todas as instituições chegaram a esse momento no mesmo patamar. A análise da Sensedia aponta três níveis distintos de maturidade tecnológica no setor. Sobretudo, os bancos digitais nativos já operam com arquiteturas orientadas a APIs desde o início, para eles, a mudança é uma oportunidade. Os bancos tradicionais estão em processo de modernização, construindo camadas de integração para desacoplar sistemas antigos. E há ainda as instituições que ainda dependem fortemente de processos manuais, que enfrentam limitações estruturais reais para cumprir as exigências do Open Finance transacional.
O ponto central, segundo Natália Cruz, Head de Open Finance da Sensedia, é que a janela de três dias exige decisões de crédito em tempo quase real. Assim, quem ainda opera com fluxos manuais, integrações ponto a ponto ou processamento em batch dificilmente vai conseguir competir. A fidelização do cliente, que antes era quase um efeito colateral da burocracia, agora depende diretamente da capacidade tecnológica de responder rápido, com segurança e precisão.
Portanto, para escritórios e profissionais que orientam clientes sobre decisões de crédito, entender esse cenário ajuda a calibrar expectativas, e a identificar com quais instituições vale a pena trabalhar.
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Conclusão
Em suma, a portabilidade de crédito via Open Finance não é só uma mudança de prazo! Mas, sim, um sinal claro de que o mercado financeiro brasileiro entrou em uma fase onde tecnologia e agilidade definem quem fica e quem perde espaço. Assim, bancos que não conseguirem tomar decisões de crédito em tempo quase real vão sentir isso na carteira de clientes.
Portanto, para contadores e escritórios contábeis, o recado é parecido. Agora, os clientes vão ter mais mobilidade financeira, e isso exige acompanhamento mais próximo de contratos, condições e fluxo de caixa. Quem entender esse movimento antes, e souber orientar bem, sai na frente como parceiro estratégico, não apenas como prestador de serviço.
Fonte: Vianews | Via Portal Contábeis
Perguntas Frequentes
É a possibilidade de transferir uma dívida de crédito pessoal de um banco para outro de forma totalmente digital, sem burocracia, dentro do ambiente regulado do Open Finance e com prazo máximo de três dias úteis.
Com a nova regra do Banco Central, o processo passou a ser concluído em até três dias úteis, antes, o prazo era de cinco dias.
Sim. O processo ocorre dentro de um ambiente regulado pelo Banco Central, assim, acontece com consentimento do consumidor e integração segura entre as instituições via APIs autorizadas.
A nova regra contempla crédito pessoal e prevê a adequação de mais produtos ao arranjo do Open Finance ao longo do tempo, conforme o avanço da regulamentação.
