Todo contador que atua na abertura de empresas sabe: o planejamento financeiro é o que separa negócios que prosperam daqueles que fecham as portas antes de completar dois anos. E dentro desse planejamento, poucos elementos são tão decisivos quanto o capital de giro. O problema é que muitos empreendedores ainda confundem esse conceito com dinheiro em caixa ou reserva de emergência.
E quando a conta não fecha, é no escritório de contabilidade que eles batem primeiro. Por isso, entender a fundo como funciona o capital de giro permite que você, contador, oriente seus clientes com mais precisão e evite aquelas ligações desesperadas de “não tenho como pagar o fornecedor esse mês”. Vamos entender o que é e a qual a importância do capital de giro. Boa leitura!
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O que é capital de giro?
Capital de giro é o dinheiro que a empresa precisa ter disponível para bancar as operações do dia a dia enquanto as receitas não entram. Ele cobre despesas como pagamento de fornecedores, salários, aluguel, contas de consumo e reposição de estoque.
Na prática, é o que permite que um comércio compre mercadoria hoje e pague o fornecedor em 30 dias, mesmo que o cliente só quite a compra em 60. Sem essa reserva, qualquer descasamento entre pagar e receber compromete a operação.
Um ponto que gera confusão entre empreendedores é a diferença entre capital de giro e investimento inicial. O investimento inicial (ou capital fixo) é o valor necessário para tirar a empresa do papel: compra de equipamentos, reforma do espaço, mobiliário, sistemas. Já o capital de giro entra depois, garantindo que o negócio continue funcionando mês a mês. São recursos com finalidades distintas, e tratar os dois como uma coisa só é um erro comum que você, contador, certamente já viu acontecer com clientes.

Por que o capital de giro é tão importante?
Para que você tenha tranquilidade para manter a sua empresa e fazer investimentos pontuais em determinado tempo, ter o conhecimento sobre o que rege o seu capital de giro é essencial. É ele quem mede a liquidez do seu caixa e sua capacidade de transformar seus próprios recursos em capital disponível. É um dos itens mais importantes no planejamento financeiro de uma organização. E os números comprovam isso.
Os números mostram o tamanho do problema. O IBGE apontou que seis em cada dez empresas fecham antes mesmo de completar 5 anos. E, segundo dados do Sebrae, ao investigar o motivo, descobriu que 22% dos empresários que fecharam as portas admitiram: faltou capital de giro para segurar a operação. Os dados foram divulgados pela Agência Brasil.
A CNI encontrou cenário parecido ao analisar empresas ainda ativas. Cerca de 37% delas já passaram por apertos financeiros causados pela má gestão desse recurso. O outro lado da moeda também existe: quem monitora o capital de giro com frequência tem 60% mais chance de escapar de crises, ainda segundo o Sebrae.
Para o contador, esses números reforçam a necessidade de orientar clientes desde o início sobre a reserva mínima para operar. Muitas vezes, o empresário foca apenas no faturamento e esquece que, sem capital de giro, a empresa pode quebrar mesmo vendendo bem.
Leia mais:
- Capital de Giro: Entenda sua Importância e Funcionamento
- Indicadores Financeiros: Entenda o Desempenho da sua Empresa
- O que é o Capital Social de uma empresa e como definir o valor
- Início do Departamento Contábil: Como Proceder em uma Migração de Dados ou Mudança de Contador?
Como calcular o capital de giro da empresa?
O cálculo do Capital de Giro deve ser feito com minuciosidade dos detalhes. Isso para que o empreendedor não seja pego de surpresa poucos meses após a abertura da sua empresa, sendo obrigado a arcar com custos que não esperava e, consequentemente, inviabilizando o funcionamento da empresa dali para frente.
O cálculo, basicamente, é a diferença entre o ativo circulante (como o caixa, contas a receber, estoque) e o passivo circulante (despesas a pagar, como contas, impostos, salários).
Como o próprio nome diz, o Capital de Giro é responsável por manter as funções e o dinheiro “girando”, criando movimentações no mercado. Por isso, é essencial estar sempre com a saúde financeira em dia na empresa, tendo reservada a quantia necessária para suprir todas as necessidades de sua corporação.
“Ah, mas sempre vão aparecer problemas que vão me custar um investimento que eu não esperava”. Normal, comum. Por isso, quando falamos em quantia necessária, não é aquela 100% exata. Tenha sempre um aditivo, como se fosse a sua poupança pessoal, que você tem um dinheirinho guardado para determinadas emergências.
Como melhorar a gestão do capital de giro?
Manter o capital de giro saudável exige atenção constante a alguns pontos que, na correria do dia a dia, muitos empresários deixam passar. Portanto, cabe ao contador reforçar essas práticas com seus clientes.
Negociar prazos com fornecedores e clientes
O ideal é sempre buscar um equilíbrio: prazos maiores para pagar fornecedores e prazos menores para receber dos clientes. Essa diferença reduz a necessidade de capital próprio para bancar a operação. Nem sempre é fácil conseguir, mas vale a tentativa, principalmente quando o volume de compras justifica uma negociação.
Controlar o estoque de perto
Estoque parado é dinheiro imobilizado. Empresas que compram além do necessário, seja por promoção de fornecedor ou falta de planejamento, acabam comprometendo recursos que poderiam estar no caixa. Orientar o cliente a trabalhar com estoque enxuto, baseado em dados de venda, faz diferença no final do mês.
Acompanhar o fluxo de caixa com frequência
Parece básico, mas muitos empresários só olham para o caixa quando o problema já apareceu. Acompanhar entradas e saídas semanalmente permite identificar gargalos antes que eles virem uma bola de neve.
Evitar misturar contas pessoais e empresariais
Esse é um clássico. Quando o dono da empresa usa o caixa do negócio para despesas pessoais, o controle financeiro vai por água abaixo. O contador precisa insistir nesse ponto, mesmo que pareça repetitivo.

Conclusão
Capital de giro não é só mais um indicador financeiro. É o que determina se uma empresa vai conseguir atravessar um mês difícil ou se vai precisar correr atrás de empréstimo às pressas. E quem trabalha com contabilidade sabe: quando o cliente chega pedindo socorro, geralmente o problema já cresceu demais.
Por isso, acompanhar de perto a saúde financeira das empresas que você assessora faz parte do trabalho. E para fazer isso bem, contar com um sistema contábil que centraliza as informações financeiras dos clientes ajuda bastante.
Quando você, contador, consegue visualizar contas a pagar, recebíveis e movimentações bancárias no mesmo ambiente, fica mais fácil perceber que algo não vai bem no caixa de um cliente. O Sistema Makro funciona dessa forma: integra os módulos fiscal, contábil e financeiro, o que permite acompanhar a situação de cada empresa sem precisar ficar pulando de planilha em planilha.
E, além disso, você tem a ajuda da Gestora Inteligente, a GI, que analisa indicadores financeiros e aponta inconsistências antes que elas virem dor de cabeça. Se algum número não bate ou se a situação de um cliente exige atenção, ela avisa. Assim, você usa a tecnologia a seu favor, tem mais precisão nas entregas, mais produtividade e o mais importante: tempo para focar nos seus clientes, o que realmente importa.
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Perguntas Frequentes
Capital social é o valor investido pelos sócios para abrir a empresa. Já o capital de giro é o dinheiro necessário para manter as operações funcionando depois que o negócio já está em atividade. São recursos com finalidades distintas.
O cálculo é simples: subtraia o passivo circulante do ativo circulante. O resultado mostra se a empresa tem folga financeira para honrar suas obrigações de curto prazo ou se precisa buscar recursos externos.
Não necessariamente. Empresas em fase de crescimento ou que acabaram de fazer um investimento grande podem ter capital de giro negativo temporariamente. O problema aparece quando essa situação se prolonga por meses sem um plano de recuperação.
O capital de giro próprio vem de recursos internos da empresa, como lucro acumulado ou aportes dos sócios. O de terceiros vem de fontes externas, como empréstimos bancários, antecipação de recebíveis ou financiamentos.
